Palavras e Momentos…

23.12.2011

Deus na terra!

Deus na terra! Deus entre os homens!

Desta vez não promulga a sua Lei no meio de trovões,

ao som da trombeta, numa montanha fumegante,

Na obscuridade de uma terrível tempestade,

Mas entretêm-se doce e tranquilamente

Com os irmãos da sua estirpe num corpo humano.

Deus na carne!

Já não age com intermitência como pelos profetas,

mas assume plenamente a natureza humana

e, através da sua carne que pertence à nossa raça,

reconduz a si todo o género humano.

Como se estendeu o seu esplendor a todos a partir de um só?

Como pode a divindade habitar na carne?

Como o fogo habita o ferro:

não se deslocando, mas comunicando-se.

O fogo não se lança no ferro,

mas, ficando no seu lugar,

comunica-lhe as suas características.

Assim não diminui absolutamente nada,

mas toma conta totalmente do ferro a que se comunica.

Deus o Verbo, que habitou no meio de nós,

não saiu de si mesmo;

O Verbo que se fez carne

não foi sujeito à mudança;

o céu não foi despojado daquele que continha

e a terra acolhe no seu seio este ser celeste.

Ó profunda bondade e amor de Deus pelos homens!

Dêmos graças com os pastores,

dancemos com os coros dos anjos,

porque hoje nasceu um Salvador

que é o Messias, Senhor.

São Basílio de Cesareia (±329 - 379)

 

29.11.2011

História, Esperança e Promessa Divina

A esperança era para os gregos um mal saído da caixa de Pandora e semeado no espírito humano para o confundir e abater o seu orgulho. Segundo eles, o sentido e a verdade só podem encontrar-se no constante, no intemporal, no eternamente presente, mas não na história e no sujeito em mutação.

Para o cristão e o israelita, pelo contrário, a verdade encontra-se na vinda do novo que Deus prometeu. A sua atitude perante a verdade é, portanto, a da esperança. A transformação na história assim como a transformação da própria história têm perfeito sentido, visto que a esperança sabe que a nova realidade prometida há-de vir pelos canais da história.

Este factor imponderável que se chama destino ou casualidade é totalmente secundário para a esperança cristã, já que ela não crê num Deus do destino ou da casualidade, mas no Deus das promessas. Por isso diz esta esperança: «Buscai primeiro o reino de Deus (pois agora é quando está próximo!) e todo o resto ser-vos-á dado por acréscimo». Por isso diz também que todas as coisas, todos os acontecimentos e todas as decisões servem para o bem dos que amam a Deus, quer dizer, serve-lhes para alentar a sua esperança e pôr os seus olhos na promessa divina.

Jürgen Moltemann

 

6 a 13.11.2011

Semana dos Seminários Diocesanos

Senhor Jesus, Bom Pastor,

que em obediência ao Pai

dais a vida pelas ovelhas,

concedei-nos as vocações sacerdotais

de que a Igreja e o mundo tanto necessitam.

Fazei que as nossas famílias e comunidades

sejam campo fértil, onde possam germinar.

Abençoai o trabalho apostólico

dos sacerdotes, catequistas e educadores

para que acompanhem a vocação sacerdotal

daqueles que escolheis.

Dai aos jovens seminaristas a coragem de Vos seguir

e o dom de configurarem o seu coração com o Vosso.

E que Santa Maria, Vossa Mãe, Rainha dos Apóstolos,

os guie e proteja, até chegarem a ser

pastores consagrados a Deus e ao seu Povo.

ámen.

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1.11.2011

Oração a Todos os Santos

Almas santas do paraíso,

vós que, agora a salvo de perigos e tempestades,

gozais de uma felicidade que não termina,

Peço-vos que,

em nome da caridade que enche o vosso coração,

em nome d'Aquele que vos escolheu

e que vos fez como sois,

escuteis a minha oração. [...]

Tomai parte nos nossos trabalhos e combates,

vós que trazeis nas vossas frontes vencedoras

uma coroa incorruptível de glória;

tende piedade das nossas inumeráveis misérias

vós que para sempre estais livres deste triste exílio;

lembrai-vos das nossas tentações,

vós que estais firmes na justiça;

interessai-vos pela nossa salvação,

Vós que nada tendes a temer pela vossa. […]

Fazei entrar a nossa frágil embarcação pelas vossas orações

no porto da eternidade bem-aventurada.

Santo Agostinho [?]

 

19.9.2011

Ele é o cavador e o trabalho e a vinha

É ele que tem os aguaceiros de Outono —

Ele tem a giesta onde faz nascer a neblina

Ele abriga-nos, é ele que tem as nuvens

Ele tem o desenho das copas que dão fruto

Ele nem sequer se assemelha à luz nunca tocada

E estende sobre nós a cura

Os ramos de oliveira como o braço de quem afaga

Ele faz-nos provar o paladar inesgotável da escrita

Ele parte a broa e dá-nos ambas as mãos

É ele que conserva o mecanismo dos pássaros

É ele que move os moleiros quando param os moinhos

É ele que puxa a corda dos bois e a linha

Do céu que assinala os limites dos montes

É ele que eleva o corpo dos santos, é ele

Que amestra o pólen para o mel, ele decide

A medida da flor da farinha

Ele deixa-nos tocar orla dos seus mantos

Daniel Faria

 

5.9.2011

O Carácter Orante da Celebração Litúrgica

Conferência do Cón. João da Silva Peixoto no 37º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica

 

5.7.2011

Liturgia e Música Sacra: a relação entre sadia traditio e legitima Progressio

Em particular, os Sumos Pontífices Paulo VI e João Paulo II, à luz da Constituição conciliar Sacrosanctum concilium, quiseram reiterar a finalidade da música sacra, isto é «a glória de Deus e a santificação dos fiéis» (n. 112), e os critérios fundamentais da tradição, que me limitarei a evocar: o sentido da oração, da dignidade e da beleza; a plena adesão aos textos e aos gestos litúrgicos; o envolvimento da assembleia e, por conseguinte, a adaptação legítima à cultura local, conservando ao mesmo tempo a universalidade da linguagem; a primazia do canto gregoriano, como modelo supremo de música sacra, e a sábia valorização das demais formas expressivas, que fazem parte do património histórico-litúrgico da Igreja, especialmente — mas não só — a polifonia; a importância da schola cantorum, em particular nas igrejas catedrais. São critérios importantes, que se devem considerar atentamente também hoje. Com efeito, à vezes tais elementos, que se encontram na Sacrosanctum concilium como, precisamente, o valor do grande património eclesial da música sacra ou a universalidade, que é característica do canto gregoriano, foram considerados expressão de uma concepção correspondente a um passado que se deve superar e descuidar, porque limita a liberdade e a criatividade do indivíduo e das comunidades. Mas temos que nos interrogar sempre de novo: quem o autêntico sujeito da Liturgia? A resposta é simples: a Igreja. Não é o indivíduo ou o grupo que celebra a Liturgia, mas ela é primeiramente acção de Deus através da Igreja, que tem a sua história, a sua rica tradição e a sua criatividade. A Liturgia, e por conseguinte a música sacra, «vive de uma relação correcta e constante entre sadia traditio e legitima progressio», tendo sempre bem presente que estes dois conceitos —  que os Padres conciliares sublinhavam claramente — se integram de modo recíproco, porque «a tradição é uma realidade viva, e por isso inclui em si mesma o princípio do desenvolvimento, do progresso» (Discurso ao Pontifício Instituto Litúrgico, 6 de Maio de 2011).

Bento XVI, Carta para o Centenário do Pontifício Instituto de Música Sacra, 13 de Maio de 2011.

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