Para Reflectir/rezar…

24.08.2010

A Veneração dos Ícones na Espiritualidade Ortodoxa

Qual é a concepção teológica que está subjacente a esta relação com o ícone? O conceito das “imagens sagradas” indica que lhes está ligado um culto, uma veneração. Na teologia das imagens nascida após a luta iconoclasta afirmou-se a ideia de que a imagem é parte do modelo originário, que na descrição de uma pessoa está sempre presente também algo dessa pessoa. Isto reconhece-se nas nossas experiências profanas, quando trazemos connosco imagens de pessoas importantes, ou quando temos certas pessoas à mercê do nosso olhar. Tais imagens não só representam a recordação, como fazem também com que a pessoa representada esteja presente de tal modo que muitas vezes é extremamente difícil pensar em destrui-las. Se a imagem encerra também a realidade da pessoa representada, garantindo uma espécie de presencialidade, e se Jesus Cristo representado no ícone é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, como afirma o Credo cristão, então Deus está presente no ícone de Cristo. Nesta lógica é claro que à imagem cabe uma veneração particular. Quando e como a imagem garante a presença de Deus, rezar diante de um ícone, mostrar-lhe devoção e particular respeito são coisas óbvias para os fiéis.

No caso do ícone a representação naturalística não é importante. Os adversários dos ícones tinham sustentado que Deus não só não devia ser representado, segundo afirma o mandamento veterotestamentário em Dt 5, 8, como nem tampouco se podia representar de algum modo, e que por isso uma imagem dele era inconcebível. Os defensores, por fim, impuseram-se, argumentando que, se a natureza divina não era representável, era todavia possível representar a pessoa de Cristo, Deus encarnado, que os seus contemporâneos tinham visto durante a sua vida terrena. Os ícones portanto não mostram Cristo, no modo mais realístico possível, para realizam uma estilização numa forma definida. […] O que conta pois não é fazer uma imagem que se assemelhe o mais possível à original; através da imagem tem antes de se realizar a presença daquele que é representado. Os ícones não servem para mostrar alguém ou algo no seu aspecto, mas antes para tornar presente a pessoa representada.

Thomas Bremer, La Croce e il Cremlino. Breve Storia della Chiesa Ortodossa in Russia (= Giornale di Teologia 336), Brescia: Queriniana, 2008, 231-232.

Ver Para Reflectir/Rezar… 2009/2010

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